Tendências:
Bolavip Logo
JOGOS DE HOJE
Siga o canal do Bolavip Palmeiras
Direto da Redação

Copo meio cheio, copo meio vazio: o que a classificação do Palmeiras ensina a Abel Ferreira

Classificação dramática diante do Fluminense reforça a grandeza da era Abel, expõe a força mental do elenco, mas acende um alerta sobre o pragmatismo excessivo do português

Abel Ferreira chega à sua quarta final de Libertadores pelo Palmeiras
© Marcello Zambrana/AGIFAbel Ferreira chega à sua quarta final de Libertadores pelo Palmeiras

O Palmeiras está em mais uma final de Libertadores. E isso, por si só, é motivo para comemorar. A classificação diante do Fluminense, conquistada nos pênaltis depois da derrota por 1 a 0 no tempo normal, no Nubank Parque, teve contornos dramáticos e consagrou novamente Carlos Miguel, decisivo ao defender a cobrança de Nonato.

Mas, entre a celebração pela vaga em Montevidéu e o alívio por escapar da eliminação, há lições importantes para Abel Ferreira, que, por outro lado, entra de vez para a história dos grandes treinadores da história da Libertadores.

Copo meio cheio: Abel e elenco mostram força na Libertadores

O copo meio cheio começa exatamente pela dimensão do feito. Esta é a quarta final de Libertadores de Abel à frente do Palmeiras, que já havia levantado a taça em 2020 e 2021 e terminou como vice-campeão em 2025. O SEP alcança sua oitava decisão na história do torneio, com três títulos conquistados. São números que dimensionam a consistência de um trabalho que transformou o Verdão em protagonista recorrente do continente.

Abel iguala Luiz Felipe Scolari, o Felipão, como treinador de clubes brasileiros com mais finais de Libertadores. É mais uma marca expressiva de uma trajetória que já o coloca entre os maiores técnicos da história palmeirense. Chegar tantas vezes à decisão continental não é algo trivial. A era Abel, independentemente das críticas pontuais, é amplamente vitoriosa.

Outro aspecto positivo está na força mental demonstrada pelo elenco. Assim como aconteceu contra a LDU, nas quartas de final, o Palmeiras sofreu um golpe nos minutos finais, viu a vantagem desaparecer e precisou encarar a pressão de uma disputa por pênaltis. Em Quito e diante do Fluminense, porém, os jogadores não desmoronaram emocionalmente. O time suportou o momento de instabilidade e encontrou forças para avançar em duas decisões de altíssima tensão.

Carlos Miguel, com seus 2,04m de altura, tornou-se novamente protagonista. Sua defesa na cobrança de Nonato reforçou a sensação de que o Palmeiras encontrou um goleiro capaz de intimidar os adversários na marca da cal.

Além disso, a equipe mostrou variedade e qualidade entre os cobradores: Maurício, Sosa, Gustavo Gómez, Piquerez e Marlon Freitas converteram suas cobranças com segurança. O elenco ainda conta com outros jogadores de boa batida, como Andreas Pereira, Flaco López e Jhon Arias, embora nem todos estivessem em campo naquele momento. É um recurso valioso para quem pretende disputar o título continental.

Copo meio vazio: convicções bem questionáveis do português

O copo meio vazio, entretanto, começa na maneira como o Palmeiras administrou a vantagem. Depois de vencer por 2 a 1 no Maracanã, o time de Abel teve a oportunidade de controlar a semifinal em casa, mas confundiu, em determinados momentos, segurança com passividade.

Mesmo com a posse de bola, faltou agressividade para incomodar o Fluminense, atacar os espaços e impedir que o adversário assumisse o protagonismo da partida. O Verdão pareceu mais preocupado em proteger o resultado do que em construir as condições para vencer.

O problema não é adotar uma estratégia defensiva. Em confrontos eliminatórios, saber sofrer, reduzir espaços e controlar o ritmo faz parte do repertório de qualquer equipe competitiva. A questão é o limite entre administrar uma vantagem e entregar ao adversário a iniciativa do jogo.

Quando o Palmeiras abdica de atacar, transforma cada cruzamento, bola parada ou erro individual em uma ameaça potencialmente decisiva. Foi o que aconteceu com o gol de Hércules, aos 37 minutos do segundo tempo, que levou a decisão aos pênaltis e colocou em risco uma classificação que parecia encaminhada.

A história recente oferece exemplos dos dois lados. Nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2024, o Palmeiras sofreu uma derrota por 2 a 0 para o Flamengo no Maracanã e não conseguiu reverter a desvantagem na volta. Já na semifinal da Libertadores de 2021, a postura cautelosa diante do Atlético-MG, no empate por 0 a 0 em casa, acabou funcionando: no jogo de volta, o Verdão empatou por 1 a 1 e avançou pelo critério do gol fora. Ou seja, o pragmatismo pode ser eficiente, mas não é uma garantia de sucesso — e o preço de uma escolha excessivamente conservadora pode ser alto.

O alerta aumenta quando se olha para a final de 2025, contra o Flamengo. Naquela decisão, o Palmeiras teve enorme dificuldade para produzir ofensivamente e terminou derrotado por 1 a 0, sem conseguir finalizar no alvo durante os 90 minutos. Repetir esse roteiro seria um risco desnecessário. Com jogadores técnicos como Andreas Pereira, Jhon Arias, Flaco López, Maurício, Marlon Freitas e Ramón Sosa, o elenco tem recursos para mais do que apenas neutralizar o adversário. Uma final exige equilíbrio, mas também personalidade para propor o jogo e buscar o gol.

Conclusão: Abel precisa encontrar novamente o equilíbrio no SEP

Abel precisa, portanto, fazer uma autocrítica. O investimento superior a R$ 1 bilhão e a qualidade das peças à disposição aumentam a responsabilidade de extrair o melhor do grupo. A impressão é que o Palmeiras rende mais quando precisa perseguir o rival ou recuperar terreno do que quando assume a condição de favorito e tenta administrar uma vantagem. Em partidas recentes contra Grêmio, Bahia, Corinthians e Athletico-PR, o time mostrou que pode apresentar um futebol mais agressivo e convincente. O desafio é sustentar esse comportamento mesmo quando está à frente no placar ou no confronto.

A classificação dramática não apaga os méritos de Abel, assim como a vaga na final não elimina os problemas de desempenho. O Palmeiras tem casca, talento e força mental para conquistar mais uma Libertadores. Mas precisará transformar esses atributos em uma atuação mais ambiciosa na decisão de Montevidéu.

PUBLICIDADE
Receba as últimas novidades em sua caixa de e-mail

O registro implica a aceitação do Termos e Condições