O empate no Gre-Nal diminuiu minha esperança contra o rebaixamento, mas a confiança em Renato ainda me faz acreditar na reação.
O empate no Gre-Nal deixou uma sensação difícil de esconder: a esperança de ver o Grêmio escapar da zona de rebaixamento ficou ainda menor. Antes do clássico, eu defendia que somente a vitória manteria viva, de verdade, a possibilidade de o Tricolor sair dessa situação. Não era apenas uma questão de desempenho, de jogar bem ou mal. Era, principalmente, uma questão de tabela, de pontos que precisam entrar e de uma margem de erro que praticamente desapareceu.
O resultado não encerra a luta, mas aumenta a preocupação. E digo isso mesmo confiando muito em Renato Portaluppi. Neste momento, a confiança no treinador é o que ainda me mantém acreditando que o Grêmio pode encontrar uma saída. Não se trata de ignorar os problemas ou de acreditar que a história, sozinha, resolverá a situação. Trata-se de reconhecer que o clube precisa encontrar respostas rapidamente, e Renato terá uma tarefa enorme pela frente.
A demora da direção custou tempo precioso ao Grêmio
Na minha avaliação, um dos maiores erros foi a demora da direção para compreender a dimensão do problema e fazer a troca de treinador no momento adequado. O Grêmio precisava de uma mudança que permitisse a quem chegasse trabalhar com tempo, reorganizar a equipe e aproveitar uma nova pré-temporada para corrigir questões físicas, técnicas e táticas. Essa oportunidade passou, e agora o clube precisa tentar resolver durante a competição aquilo que poderia ter começado a corrigir muito antes.
Também considero preocupante a insistência no discurso de que o trabalho diário era bom, mesmo sem resultados consistentes e sem uma evolução física e técnica que aparecesse dentro de campo. Treinar bem é importante, mas o futebol exige que o trabalho se transforme em desempenho e pontos. Quando isso não acontece, é necessário reconhecer o problema e agir. O Grêmio perdeu tempo precioso enquanto a tabela se tornava cada vez mais ameaçadora.
Não adianta, porém, ficar preso ao que deveria ter sido feito. A direção precisa responder por suas decisões, mas o time tem uma missão imediata: competir, pontuar e sair dessa situação. O passado explica parte do cenário atual, mas não vai conquistar os pontos que faltam. Agora, a prioridade precisa ser o presente, com coragem para corrigir o que ainda está ao alcance e disposição para encarar cada partida como uma decisão.
Vejo evolução, mas o nervosismo está cobrando seu preço
Apesar da preocupação, consigo identificar mudanças no Grêmio. Vejo uma equipe com mais intensidade física, que corre mais e parece suportar melhor o ritmo das partidas. Também percebo mais proatividade, maior presença no campo ofensivo e uma tentativa mais clara de subir as linhas para pressionar e chegar ao gol adversário. Isso não resolve todos os problemas, mas indica que existem aspectos sobre os quais é possível construir uma reação.
É preciso reconhecer, ao mesmo tempo, que a limitação técnica do elenco continua pesando. O Grêmio tenta avançar, mas nem sempre consegue transformar a movimentação em jogadas bem construídas e oportunidades claras. A equipe pode correr mais, pressionar melhor e ocupar o campo de ataque, mas precisa encontrar qualidade nas decisões para que todo esse esforço produza resultados.
O nervosismo também se tornou um adversário importante. Quando uma equipe passa tanto tempo convivendo com resultados ruins e com a ameaça do rebaixamento, cada erro parece aumentar a pressão sobre os jogadores. A tomada de decisão fica mais difícil, a confiança diminui e até situações que normalmente seriam resolvidas com naturalidade viram problemas. É nesse ambiente que Renato precisa trabalhar não apenas a organização da equipe, mas também a cabeça dos atletas.
O caso de Amuzu ilustra bem essa questão. O atacante vinha atravessando um bom momento, marcando gols e dando assistências, mas, no clássico, desperdiçou uma oportunidade diante do goleiro. Naquele lance, poderia ter dado um passo a mais, melhorado o posicionamento e encontrado uma condição mais favorável para concluir. Não é uma questão de condenar o jogador por um erro, e sim de perceber como a pressão pode interferir em alguém que vinha conseguindo contribuir ofensivamente.
Renato precisa devolver a tranquilidade e encontrar uma vitória
E como fazer a tranquilidade voltar a um grupo que sabe o tamanho do risco que corre? Essa é uma das grandes tarefas de Renato. Não basta pedir calma ou repetir que a equipe precisa acreditar. É necessário transformar essa mensagem em comportamento dentro de campo, ajudando os jogadores a tomarem decisões melhores, sem perder a intensidade e sem deixar que o medo paralise o time.
O próximo desafio, contra o Cruzeiro, exige uma resposta. O Grêmio precisa encontrar três pontos, não importa de onde eles venham. Não sei exatamente como isso será possível, nem qual será o caminho tático mais eficiente. Mas entendo que o Tricolor precisa atacar, subir as linhas e pressionar o adversário durante o jogo, sem entrar em campo já condicionado pelo receio de sofrer mais um resultado ruim.
O medo do pior cenário já está instalado em boa parte do ambiente gremista. A torcida sente, os jogadores convivem com essa pressão e o clube sabe que cada rodada torna a missão mais complicada. Justamente por isso, não vejo espaço para uma postura excessivamente cautelosa. O Grêmio precisa ter organização, claro, mas também coragem para assumir riscos e buscar o resultado de que tanto necessita.
O erro sobre Krovinovic foi a decisão de abrir mão dos meias
Outro ponto que considero importante é a situação de Krovinovic. Na minha avaliação, o erro não foi contratar o croata, mas permitir que Luís Castro liberasse os meias que o Grêmio tinha e aceitar as justificativas sem uma avaliação suficientemente criteriosa do impacto dessas decisões. O departamento de futebol precisava analisar o planejamento, as características do elenco e as alternativas disponíveis antes de simplesmente seguir o caminho definido pelo treinador.
Desde a chegada de Krovinovic, venho defendendo que ele não é o meia ofensivo, o camisa 10 que parte da torcida esperava. Vejo nele um bom camisa 8, capaz de distribuir o jogo desde a primeira linha e fazer a bola chegar em melhores condições aos jogadores mais avançados. É uma função importante, mas diferente daquela de um articulador que assume a responsabilidade de criar as principais oportunidades no último terço do campo.
Essa distinção importa porque o Grêmio precisa de soluções compatíveis com as características dos jogadores que tem. Não adianta cobrar de um atleta aquilo que não corresponde à sua melhor função, assim como não faz sentido desmontar opções do elenco sem ter uma reposição adequada. O planejamento do futebol precisa ser mais criterioso, e as decisões devem considerar o conjunto, não apenas a avaliação isolada de um treinador.
Agora, porém, não é hora de ficar apenas lamentando os erros ou apontando aquilo que poderia ter sido diferente. O Grêmio precisa reagir, e essa reação passa por competir com mais intensidade, encontrar soluções ofensivas e recuperar a confiança. A situação é grave, a tabela não oferece conforto e a margem para novos tropeços é cada vez menor. Ainda assim, não considero a luta encerrada.
Quem não arrisca não vive o extraordinário. O Grêmio precisa entrar em campo com coragem, sabendo dos riscos, mas sem se entregar ao medo. Continuo confiando em Renato Portaluppi e espero que ele consiga fazer essa confiança se transformar em resultados. É nisso que me apego neste momento: na possibilidade de o treinador encontrar o caminho e devolver ao torcedor gremista a esperança de que ainda é possível sair dessa situação.





