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Série B

Ex-diretora do Náutico protocola denúncia contra gestor financeiro por importunação sexual e crimes contra a honra; clube se manifesta

Caso foi exposto nas redes sociais de Tatiana, que detalhou a situação ao GE. De acordo com informações passadas ao veículo, o presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Carneiro, teria tentado pressioná-la a retirar a denúncia

Foto: Rafael Vieira/AGIF | Segundo Tatiana este não seria o primeiro caso nos Aflitos
Foto: Rafael Vieira/AGIF | Segundo Tatiana este não seria o primeiro caso nos Aflitos

A ex-diretora da mulher e de operações do Náutico, Tatiana Roma, protocolou na última segunda-feira, 22, uma denúncia onde apontou ter sido vítima dos supostos crimes de importunação sexual, injúria, calúnia e difamação, contra o atual superintendente financeiro do clube, Errisson Rosendo de Melo, irmão do atual presidente executivo, Edno Melo. As informações são do GE. A situação foi exposta nas redes sociais de Tatiana, que recebeu apoio de vários internautas.

Foto: Reprodução | De acordo com Tatiane, outras quatro mulheres foram vítimas de Errisson
Foto: Reprodução | De acordo com Tatiane, outras quatro mulheres foram vítimas de Errisson

A ex-diretora informou na publicação que havia protocolado uma denúncia no Conselho Deliberativo do Náutico no dia 3 de setembro deste ano, contra um funcionário do departamento financeiro do clube. Em entrevista concedida ao GE, Tatiana informou que o presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Carneiro, teria tentado persuadi-la a retirar a denúncia. “Primeiro fiz uma denúncia ao Conselho Deliberativo, a princípio sigilosa do caso. O sigilo nesse caso era para que a denúncia, a princípio, não saísse do conselho. E não fizeram nada. Alexandre (Carneiro, presidente do Conselho) me chamou na sala dele me dando pressão para tirar a denúncia, me pedindo para segurar isso para 2022”, relatou.

Segundo consta no Boletim de Ocorrência que foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia da Mulher, que fica localizado no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife, no último dia 12 de novembro, os assédios teriam ocorrido entre maio de 2020 e julho deste ano, quando Tatiana deixou o clube. Ainda de acordo com a ex-diretora, ao GE, enquanto aguardava um posicionamento do clube sobre o caso, o superintendente Errisson teria tentado forjar uma denúncia por racismo contra ela. “Nesse meio termo, o “Negão”, da Fanáutico, me ligou, dizendo que Errisson tinha chamado ele pedindo para me denunciar de racismo, que eu teria o chamado de macaco, algo que eu nunca fiz”, disse.

Foto: Divulgação / Náutico | Alexandre Carneiro e Edno Melo em um evento comemorativo ao título de campeão pernambucano de 2021
Foto: Divulgação / Náutico | Alexandre Carneiro e Edno Melo em um evento comemorativo ao título de campeão pernambucano de 2021

Segundo ela, na tentativa de solucionar o caso, foi feito um acordo extrajudicial com Errisson para que a denúncia feita ao Conselho fosse retirada, porém compromisso do gestor financeiro não foi cumprido. “Eu aceitei o acordo porque queria paz e retirei o processo do Conselho. Só que Errisson não doou as 50 cestas básicas. Ele fez uma transferência no valor de R$ 2.500 que não corresponde ao valor de 50 cestas básicas (no Recife, o preço médio de uma cesta básica é de R$ 101,21). Aí fiz uma nova denúncia ao Conselho pedindo o afastamento de Erisson em 48 horas e aí minha vida virou um inferno”, contou.

Segundo Tatiana revelou, ainda ao GE, o presidente do Conselho Deliberativo a teria procurado pedindo para que ela não trouxesse a público o assunto, tendo em vista a proximidade das eleições do clube, mas após ouvir o relato de outras cinco funcionárias do clube, sendo que destas, quatro também teriam sido vítimas de assédio, decidiu ir à polícia. “Eu passei uma manhã trancada no meu quarto chorando. Você não tem noção o quanto é horrível ouvir de outras mulheres o mesmo que você passou. E algumas com relatos muito piores.”, contou.

Tatiana contou que, inicialmente, considerou as investidas brincadeira de mau gosto, mas que a situação tomou novas dimensões. Ela notou que algo além estaria acontecendo quando supostamente Errison a teria questionado sobre alguns interesses de ordem sexual, se conhecia locais e teria falado sobre características físicas, como suas sardas. Ainda, relatou que após não ceder, *teria passado a ser ofendida moralmente. “Quando ele viu que não conseguiria, começou a fazer o que pra mim, por incrível que pareça, é ainda pior. Ele começou a me atingir moralmente. Começou a me chamar de idiota, me esculhambar. O custo de um jogo, por exemplo, era de R$ 6 mil, e ele me dava R$ 500 e mandava eu me virar. Ele começou a querer me diminuir para ver se conseguia o que ele queria. Chegou na frente de um funcionário de segurança privado e disse para não fazer nada que eu mandasse porque eu era uma imprestável”.

Alexandre Carneiro negou as acusações. “Eu sempre disse a ele que o sigilo era importante para manter a importância da denúncia porque é ano eleitoral, então se vazar o sigilo iriam reduzir o tamanho da queixa dela e jogar para a questão política porque ela é amiga de Bruno Becker (candidato à presidência pela oposição). A denúncia foi protocolada no Conselho e logo depois foi feito um acordo das partes (das cestas básicas) e o principal princípio da mediação é o sigilo. O acordo não foi cumprido é o que ela diz, que explicasse o tamanho do descumprimento no conselho. Algo que ela não fez. Ela não trouxe oficialmente documento da entidade informando que foi descumprido o acordo.”, disse ao GE.

O clube emitiu nota sobre o caso: “Naturalmente, diante da gravidade da denúncia, o funcionário em questão pediu afastamento enquanto o assunto está sendo tratado no âmbito jurídico. Todas as medidas que se fizerem necessárias serão adotadas para que não restem dúvidas sobre os fatos e efetiva ação, no caso de outras medidas administrativas cabíveis. Ficam reiterados aqui os princípios sempre praticados pela gestão, de combate a todas as formas de desrespeito, preconceito ou intolerância, de qualquer ordem.”.

Procurado pelo Folhade Pernambuco Errisson informou que o assunto seria tratado com o advogado dele, Luiz Gaião. A reportagem do veículo conversou com Gaião, que afirmou não ter tido acesso ao B.O. “Primeiro, preciso ver o documento, checar quais alegações ela fez para, em seguida, me pronunciar sobre o caso”, explicou.

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