Nesta quarta-feira (14), Clarence Seedorf foi apresentado oficialmente como novo técnico do Corinthians, dando uma entrevista coletiva, onde respondeu sobre diversos temas envolvendo sua chegada, suas pretensões e também sobre as polêmicas.
Confira trechos da entrevista:
Memphis Depay participou ou influenciou em sua chegada ao Corinthians?
“Conheço o Memphis da Holanda, um jogador holandês. As vezes estamos em contato. Mas ele não tem relação com a minha escolha, eu conhecia o Corinthians antes dele. Conheço muito bem o Corinthians e não é por ele. Tenho pessoas aqui, como Bruno Paiva e Marcelo, que são pessoas que sempre me mantiveram informado sobre o que está acontecendo no Brasil. O Corinthians sempre foi parte da conversa. Tenho amigos que passaram por aqui também. A escolha foi feita com consciência sobre a situação. O diretor Marcelo deu a sensação de que pode ser a oportunidade dos dois de voltar a sermos protagonistas no futebol. Não podia deixar passar essa oportunidade. Não tenho medo e nem preocupação com isso, sei que o time vai apresentar aquilo que eu gosto. Intensidade, compacto, que é a identidade do Corinthians. Sei a história do clube, era sempre difícil de jogar contra”, iniciou.
“Acabei de chegar. Preciso de tempo para entrar em detalhes com jogadores. Memphis é um talento importante, um jogador importante. Teve vários problemas físicos, então por isso não está nas melhores condições ainda. Mas nesse momento o Memphis não é o foco, ele mesmo já falou que quer sair dessa situação com o grupo. Todos os jogadores são importantes. Vou precisar de todos, até pela intensidade que vou pedir. A maneira de sair dessa situação é com muito trabalho e muita intensidade. E ele vai fazer isso também, vai ser um dos primeiros que vai começar a se sentir mais em forma e mais preparado. Obviamente vai ter uma reação positiva com os outros. Com ele e outros jogadores que vão liderar esse momento de mudança e transição. Tenho muita confiança nesse grupo”, explicou.
Tempo parado sem treinar nenhum clube:
“No futebol cada ano tem times e clubes que passam por esses momentos, com treinadores de muita experiência e não conseguem sair ou não fazem um bom trabalho. Eu não acho que tem uma certeza quando alguém pega um trabalho. Foram vários anos que eu estava falando com a OTB para voltar ao Brasil e trabalhar como treinador. Essa situação é uma grande oportunidade para mim, é um dos maiores clubes do mundo. Isso não passa todo dia pelo seu caminho. Eu não fiquei sem estar no futebol, sempre estive próximo. Longe de um clube, não queria pegar as coisas que estavam me oferecendo, não acreditava nos projetos. Tive outros papeis como conselheiro e dirigente e analisando jogos de um nível alto, de Champions League. Eu vivi 30 anos nessa parte com os maiores treinadores do mundo”, salientou, completando:
“Tive sorte, aprendi muito com eles. Uma pessoa que quero ressaltar, que era mais próxima de mim que era o Oswaldo de Oliveira, um dos melhores treinadores que tive na carreira. Foi uma experiência fantástica. É um dos campeonatos mais competitivos do mundo. Com toda essa experiência, acho que tem muito valor. Sei que outros treinadores não optaram de estar aqui. Não é fácil chegar assim. Quando precisa de coragem, de pessoas que acreditam nos valores que o clube tem… Não precisamos explicar a história do clube. É um grupo com muito talento. Tem alguns resultados negativos, mas não significa que esse grupo não tem valor. Com trabalho e seriedade tudo pode ser voltado com o apoio dos torcedores fantásticos. Esse grupo já mostrou ter muita vontade, é um leão ferido e isso é perigoso. Vamos poder transformar essa base com trabalho no dia a dia”, disse.
Conhecimento do futebol brasileiro:
“Deixa eu contar um pouco como eu trabalho… Quando eu jogava, muitas vezes eu não sabia contra quem jogava no mesmo dia. A minha mentalidade era saber o que fazer com o meu time. Como jogador era uma coisa, agora como treinador é diferente. Hoje em dia o treinador não precisa ver praticamente nada para saber sobre o adversário, tem muita gente boa para trabalha aqui. Vamos ter tempo para analisar o adversário, o futebol é um esporte universal. Eu joguei em vários clubes do mundo e no final a bola é redonda e 11 jogadores contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol e não preciso de muito tempo para conhecer os jogadores que vamos enfrentar. Vamos respeitar todos“, explicou.
“Quero ressaltar a importância das pessoas que trabalham dentro do clube fazendo análises. Os treinadores do mundo hoje não tem tempo de fazer tudo sozinho. Aqui eu já vi um time maravilhoso e competente. Estou pouco preocupado com essa parte. Vou me adaptar rápido com essas pessoas que estão motivadas em trabalhar”, garantiu.
Sequencia ruim do Corinthians:
“É uma situação complicada e complexa. Eu estou aqui porque acredito nos ingredientes que tenho. A estrutura é fantástica e um momento negativo pode virar em dois segundos. Gostaria de convidar todo mundo para conviver com a gente aqui, mas não posso explicar quais ações vamos tomar. Sabemos da dificuldade, vivemos essa dificuldade como jogador. Como treinador sempre peguei momentos ruins dos times. Todas situações complicadas“, disse.
Declaração do Gabriel Paulista e problemas financeiros:
“Eu não estava aqui antes. Então, aconteceu. Mas eu quero ver para frente. Para mim, tudo o que aconteceu até agora é importante, mas não tanto. É muito mais importante o que vai ter amanhã e o que vamos construir juntos. Não vamos falar sobre coisas que a gente não controla. Esse clube é maior do que todos nós. Daqui a cem anos ainda terá torcedores. Temos que nos concentrar para deixar um legado, profissionalmente tudo que a gente pode para respeitar esse clube. Eu senti que é um leão ferido, os jogadores querem, mas as vezes não podem“, comentou o técnico.
Metodologia de trabalho:
“Normalmente a recuperação no Brasil são entre os jogos, tem pouco tempo para treinar. A sorte é que temos mais tempo agora para treinar nos próximos jogos. Há necessidades para acelerar certos processos. O objetivo é de me entregar o mais rápido possível, entender e conhecer o grupo… Não estou falando só dos jogadores, mas todos que trabalham em volta. Todos sofrem. Todos precisam de atenção e respeito para poder levantar o ânimo. Depois, o trabalho vai mostrar o caminho certo. Vamos convidar vocês para ver mais treinamentos. Acabei de chegar, vamos colocar muitas horas de trabalho para planejar o próximo mês”, falou o holandês.





