O São Paulo vive um dos episódios políticos mais delicados de sua história recente. A intermediária Rita de Cássia Adriana Prado, conhecida como Adriana Prado e pivô do caso do suposto camarote irregular, vendeu o áudio que originou o escândalo a membros da oposição interna do clube, incluindo conselheiros. O caso veio à tona em meio à semana decisiva do impeachment.

A informação foi publicada inicialmente pela jornalista Marília Ruiz e confirmada pelo UOL. A reportagem teve acesso a um áudio de cerca de 11 minutos no qual o ex-conselheiro Denis Ormrod negocia a compra do material. Na conversa, é discutida até a possibilidade de simular o furto de um aparelho telefônico para justificar a divulgação do conteúdo.
Além da gravação, surgiram provas financeiras da negociação. Dois cheques de R$ 100 mil cada teriam sido entregues a Adriana, além de um PIX de R$ 75 mil em nome de Frederico SA Grilo. Segundo o áudio, Grilo seria ligado ao conselheiro Vinicius Pinotti, ex-consultor da gestão de Julio Casares.
Negociação exposta e mudança de discurso
Além de Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e Fábio Mariz também são citados como participantes da obtenção do áudio. Procurado, Denis confirmou que houve negociação e afirmou que foi procurado por Adriana. Pinotti e Mariz não se manifestaram até o momento, aumentando a tensão nos bastidores do clube.
O áudio negociado envolve uma ligação entre Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto da base, e Mara Casares, diretora cultural e de eventos. Na conversa, ambos chamam o camarote de clandestino e afirmam que o negócio não foi “normal”. Após a repercussão do caso, os dois dirigentes pediram afastamento de seus cargos.
Carta, reviravolta e impacto político
Após divergências sobre valores e estratégias, Adriana Prado mudou de posição e passou a defender a atual gestão. Em carta enviada a Mara Casares, ela nega qualquer irregularidade e afirma que opositores políticos adquiriram e divulgaram um áudio fora de contexto para causar danos à administração do clube.
No texto, Adriana cita nominalmente Ormrod, Pinotti e Mariz, sugerindo que agiram com interesses políticos. Ela pede diálogo direto, solicita que a mensagem seja repassada a Julio Casares e ao presidente do Conselho Deliberativo e classifica o episódio como fruto de “ilações, inverdades e difamações” usadas para desestabilizar o São Paulo às vésperas da votação.