No primeiro clássico do ano, o Santos saiu da Arena Barueri derrotado pelo Palmeiras por 1 a 0, em jogo válido pela 2ª rodada do Campeonato Paulista. O placar mínimo não reflete totalmente o que foi a partida, mas expõe, logo no início da temporada, pontos sensíveis da estratégia de Juan Pablo Vojvoda.

Vojvoda montou um Santos que soube competir de igual com Palmeiras, mas escolhas individuais do técnico custaram um resultado melhor em Barueri
© Ettore Chiereguini/AGIFVojvoda montou um Santos que soube competir de igual com Palmeiras, mas escolhas individuais do técnico custaram um resultado melhor em Barueri

O gol palmeirense nasceu de uma falha grosseira de Escobar na origem da jogada. O lateral-esquerdo perdeu a bola com a defesa completamente desmontada, permitindo o contra-ataque que terminou com Allan balançando as redes. Brazão foi driblado, Adonis Frias tentou salvar em cima da linha, e o erro coletivo teve início claro: a escolha — novamente — por Escobar.

Apesar do resultado adverso, o Santos fez um primeiro tempo competitivo. Sem Gabigol, preservado por dores musculares, Vojvoda optou por Lautaro Díaz e Thaciano no ataque. O Peixe teve mais posse, pressionou a saída de bola do Palmeiras e controlou boa parte das ações. Fica a sensação incômoda de que, com o camisa 9 desde o início, o time poderia ter saído na frente.

Vojvoda monta um Santos interessante para o clássico

O modelo proposto pelo treinador foi organizado e ofensivo. O Santos mal deu espaço para o rival construir desde trás e conseguiu encurralar o Palmeiras em vários momentos. O problema é que, mais uma vez, a equipe foi punida por um erro individual que desmontou todo o plano.

Mesmo após sofrer o gol, a reação santista agradou. O time seguiu atacando, tentando manter o controle do jogo e buscando o empate. No entanto, esbarrou em limitações técnicas evidentes — sobretudo pelo lado esquerdo da defesa.

Escobar foi um dos piores em campo no clássico e comprometeu o lado esquerdo do sistema defensivo do Peixe – Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Vojvoda, que ao chegar ao SFC havia identificado a necessidade de um meio-campo mais povoado, parece ter aberto mão dessa leitura. O Santos clama por quatro jogadores no setor central. Não seria mais produtivo reforçar o meio do que manter Lautaro sofrendo aberto pela ponta?

Insistência em Escobar pela LE não se justifica: cadê Vini Lira?

A insistência em Escobar vai além da teimosia. Torna-se difícil de explicar. O Santos levou meses para compreender que Souza era o titular na posição, e agora vive situação semelhante com Vinícius Lira. O jovem só foi entrar em campo aos 42 minutos do 2º tempo.

E o prejuízo não é apenas esportivo. Vinícius Lira representa uma opção tecnicamente superior e também um ativo financeiro importante. Persistir em Escobar é desperdiçar potencial dentro e fora de campo.

Conclusão: Vojvoda vem ‘brincando com fogo’ no Peixe

No segundo jogo do ano, Vojvoda já enfrenta um alerta importante. As convicções herdadas de 2025 precisam ser revistas com urgência. O Santos mostrou organização, competitividade e sinais positivos, mas segue tropeçando nos mesmos erros.