O Santos foi acionado na Justiça pela empresa Secasport por conta da transferência do atacante Yeferson Soteldo ao Fluminense, realizada em junho do ano passado. A empresa alega que foi coagida pelo clube a abrir mão de valores a receber para que a negociação fosse concretizada.

Soteldo, atacante do Fluminense em partida pelo campeonato brasileiro (Foto: Pedro H. Tesch/Getty Images)
© Getty ImagesSoteldo, atacante do Fluminense em partida pelo campeonato brasileiro (Foto: Pedro H. Tesch/Getty Images)

Segundo a ação, a Secasport afirma que sofreu prejuízo econômico após ser pressionada a renunciar créditos legítimos, sob a ameaça de que o Santos não liberaria o jogador para o clube carioca caso a exigência não fosse aceita.

Dívidas anteriores e pressão na negociação

De acordo com a Secasport, já existia uma dívida de R$ 515 mil, que estava em discussão na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas). Além disso, o Santos ainda devia parcelas referentes a uma comissão de R$ 3,8 milhões ligadas a intermediações anteriores.

Foi neste contexto que surgiu a possibilidade de venda de Soteldo ao Fluminense. Segundo a empresa, o clube paulista impôs uma condição considerada “irredutível” para liberar o atleta: a quitação plena de todos os valores discutidos na CNRD, além da renúncia a créditos remanescentes de um distrato, no valor de R$ 960 mil.

Acusação de coação e vulnerabilidade econômica

Na ação judicial, a Secasport sustenta que ficou diante de uma escolha forçada: abrir mão de todos os seus créditos ou impedir a transferência de Soteldo, o que geraria um prejuízo financeiro ainda maior. A empresa afirma que aceitou as condições em razão de sua “posição de vulnerabilidade econômica”.

Mesmo após a renúncia, a empresa acusa o Santos de má-fé, alegando que o clube descumpriu um novo acordo firmado no contexto da negociação. Segundo a Secasport, o Santos teria se comprometido verbalmente a repassar 5% do valor da transferência, o que não foi feito.

Valores cobrados e pedido de arresto

Soteldo foi vendido ao Fluminense por US$ 5 milhões, cerca de R$ 30 milhões na cotação da época. A Secasport cobra na Justiça o pagamento dos R$ 515 mil discutidos na CNRD, mais R$ 2,2 milhões referentes a intermediações passadas, além dos 5% da venda, danos morais, honorários advocatícios e custas processuais.

A empresa também pediu o arresto de bens do Santos, como forma de garantir o pagamento do débito caso obtenha decisão favorável.

Procurado para comentar o caso, o Santos não respondeu até a publicação. A reportagem será atualizada se o clube se manifestar oficialmente.