Os gigantes europeus não compram apenas estrelas: também colecionam apostas. E se existe um país que historicamente faz os olhos de Real Madrid e Barcelona brilharem, esse país é o Brasil. Sempre que surge um jovem diferente, que dribla com naturalidade ou parece ter algo especial, os dois clubes costumam agir rápido: investem alto, antecipam a concorrência e sonham em ter encontrado o próximo craque antes de todo mundo.

Os jogadores 'roubados' pelo Real Madrid e pelo Barcelona.
© ChatGPT ImageOs jogadores 'roubados' pelo Real Madrid e pelo Barcelona.

O problema é que o salto nem sempre funciona como nos vídeos de melhores momentos. Pressão, adaptação, poucos minutos, lesões e decisões equivocadas podem transformar promessa em frustração. Neste ranking, relembramos 15 brasileiros que chegaram como projetos de futuro… e terminaram deixando dúvidas, memes ou até arrependimento em Madrid e Barcelona. E o número 1? É um caso difícil de explicar. Veja!

Emerson Royal (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

Emerson chegou ao Barcelona depois de um processo curioso: foi adquirido em operação conjunta com o Betis, amadureceu na LaLiga e, quando parecia pronto para assumir espaço maior, foi reintegrado ao elenco em 2021. Jovem, físico e já adaptado ao futebol espanhol, parecia um movimento planejado.

Mas sua passagem foi extremamente breve. Poucas semanas depois de ser apresentado, acabou vendido ao Tottenham no mesmo mercado. Mais do que um fracasso dentro de campo, seu caso simboliza falta de planejamento: um jogador contratado, apresentado e negociado quase imediatamente, como se nunca tivesse feito parte de um projeto real.

Cicinho (Real Madrid)

(Foto: Getty Images)

Cicinho desembarcou no Real Madrid em 2006 vindo do São Paulo, campeão da Libertadores e presença constante na Seleção Brasileira. Lateral ofensivo, técnico e experiente para sua idade, chegava como reforço capaz de assumir o lado direito com autoridade.

Entretanto, nunca se consolidou como titular absoluto. Entre irregularidade, pressão e concorrência interna, sua trajetória acabou sendo mais curta do que se imaginava. Saiu sem deixar marca profunda, tornando-se mais um exemplo de talento brasileiro que o Madrid acreditou ter encontrado… mas não conseguiu desenvolver.

Douglas (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

A contratação de Douglas, em 2014, foi recebida com surpresa desde o primeiro momento. Vindo do São Paulo para disputar posição na lateral direita, chegou como alternativa de baixo custo em um elenco que ainda contava com Dani Alves. O problema era que, desde o primeiro dia, ficou claro que o seu nível não estava à altura dos padrões do Barça.

Em campo, porém, quase não teve impacto. Atuou pouco, raramente em jogos decisivos, e acumulou empréstimos até sua saída definitiva. Com o tempo, virou símbolo de erro de avaliação e planejamento esportivo, um reforço que nunca convenceu nem torcida nem comissão técnica.

Lucas Silva (Real Madrid)

(Foto: Getty Images)

Contratado em 2015 junto ao Cruzeiro, Lucas Silva chegou ao Real Madrid como um volante promissor, campeão brasileiro e visto como um dos meio-campistas mais organizados de sua geração. Aos 21 anos, tinha boa saída de bola, passe seguro e leitura tática, características que faziam o clube enxergá-lo como uma peça de renovação para o setor.

Só que a transição para o futebol europeu foi bem mais dura do que se imaginava. Lucas recebeu poucas oportunidades, não conseguiu entrar na rotação e rapidamente perdeu espaço em meio à concorrência pesada do elenco. Em pouco tempo, passou a ser tratado como um jogador para empréstimos e soluções externas, até desaparecer do projeto. O que parecia investimento estratégico virou uma passagem discreta demais para o tamanho do Madrid.

Rodrigo Fabri (Real Madrid)

(Foto: Divulgação)

Rodrigo Fabri é um daqueles nomes que parecem inventados quando alguém conta a história. Em 1998, o Real Madrid decidiu apostar no atacante ainda muito jovem, tirando-o da Portuguesa em um movimento típico de caça a promessas brasileiras antes que virassem estrelas. Não era um reforço de impacto imediato: era, acima de tudo, uma tentativa de garimpo em escala gigante.

O problema é que sua passagem foi praticamente invisível. Sem espaço, sem sequência e sem qualquer protagonismo, Fabri saiu do clube sem deixar lembrança real no torcedor comum. É o tipo de contratação que virou curiosidade histórica: um brasileiro que o Madrid buscou no Brasil… e que desapareceu do radar quase instantaneamente.

Matheus Fernandes (Barcelona)

(Foto: Divulgação)

O caso de Matheus Fernandes é um dos mais estranhos do Barcelona recente. Contratado em 2020 junto ao Palmeiras, por valores que giraram em torno de 7 milhões de euros, ele chegou como volante jovem, físico e com boa chegada ao ataque. A ideia inicial era simples: ganhar rodagem na Europa, começando por um empréstimo ao Valladolid, antes de tentar se firmar no elenco principal.

Na prática, o plano nunca virou realidade. Matheus quase não jogou pelo Barça, teve minutos residuais e jamais entrou de verdade na rotação. Sua saída ainda virou tema de disputa contratual e críticas à gestão do clube. Mais do que não render, seu caso virou símbolo de um Barcelona que contratava promessas… sem saber exatamente o que fazer com elas.

Henrique (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

Quando o Barcelona contratou Henrique em 2008, o clube acreditava estar garantindo um zagueiro de futuro direto do Palmeiras. Ele tinha 21 anos, vinha com boa reputação no Brasil e se encaixava no modelo de mercado que o Barça adotava na época: antecipar o crescimento de jovens sul-americanos e lapidá-los dentro do projeto.

Só que a história nunca engrenou. Henrique passou por empréstimos consecutivos e não conseguiu se estabelecer como opção real para o time principal. Não houve um grande escândalo ou uma sequência de falhas: simplesmente faltou espaço, continuidade e confiança. Com o tempo, virou mais um nome daquela lista de apostas que o Barcelona fez… e acabou deixando pelo caminho.

Reinier (Real Madrid)

(Foto: Divulgação)

Reinier chegou ao Real Madrid em 2020 como uma das joias do Flamengo campeão da América. Aos 18 anos, foi contratado por uma cifra alta para um jogador tão jovem, dentro da mesma estratégia usada com Vinícius e Rodrygo: investir cedo no talento brasileiro e construir uma estrela para o futuro. O discurso era claro: ele era o próximo projeto galáctico do clube.

Mas a realidade foi bem menos glamourosa. Reinier emendou empréstimos, começando pelo Borussia Dortmund, sem conseguir continuidade, protagonismo ou números decisivos. Diferente de outros brasileiros do elenco, nunca deu sinais concretos de que estava pronto para competir em alto nível no Madrid. Hoje, é o exemplo perfeito de que nem toda promessa do Brasil se transforma em sucesso, mesmo com investimento e vitrine.

Fábio Rochemback (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

Em 2001, o Barcelona buscou em Porto Alegre um meio-campista que chamava atenção pela força física, pela pegada e pela qualidade no chute de média distância. Rochemback, então com 19 anos, havia se destacado no Internacional e era visto como um jogador pronto para crescer rápido no futebol europeu. Em um Barça ainda instável, sua contratação parecia um movimento ousado e cheio de potencial.

Ele até teve participações e momentos de destaque, mas nunca conseguiu virar peça estruturante do time. Seu estilo, mais intenso e direto, não se encaixou totalmente no modelo que o clube consolidaria pouco tempo depois. Assim, sua passagem ficou marcada como uma aposta interessante no papel, mas que não se transformou em uma história de sucesso no Camp Nou.

Robinho (Real Madrid)

(Foto: Getty Images)

Robinho desembarcou no Real Madrid em 2005 cercado de expectativa. Vinha do Santos com status de herdeiro simbólico de Pelé, dono de dribles desconcertantes e personalidade ousada. O clube espanhol investiu pesado e o apresentou como um talento capaz de devolver espetáculo ao ataque merengue em um período de transição.

Ele teve lampejos, gols importantes e atuações marcantes, mas nunca alcançou a regularidade que se esperava de uma futura superestrela. Entre trocas de treinadores, pressão da imprensa e altos e baixos dentro de campo, sua passagem ficou com gosto de promessa incompleta. Não foi um desastre, mas tampouco virou o protagonista que o Madrid imaginou ao buscá-lo no Brasil.

Arthur Melo (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

Quando o Barcelona contratou Arthur em 2018 junto ao Grêmio, o discurso era quase unânime: ele representava a volta ao DNA Barça no meio-campo. Jovem, técnico e com excelente controle de bola, havia sido destaque na Libertadores e chamava atenção pela capacidade de manter posse e ditar ritmo — qualidades que lembravam o estilo consagrado pelo clube.

Apesar de bons momentos e atuações sólidas, sua trajetória foi marcada por irregularidade e problemas físicos. Arthur nunca conseguiu se firmar como pilar do projeto esportivo, e sua saída em uma troca controversa com a Juventus gerou debate sobre critérios técnicos e financeiros. O Barcelona parecia ter encontrado um perfil ideal… mas não conseguiu sustentá-lo a longo prazo.

Endrick (Real Madrid)

(Foto: Getty Images)

Endrick foi uma das contratações mais midiáticas do Real Madrid nos últimos anos. Ainda adolescente, foi adquirido junto ao Palmeiras por valores altíssimos para sua idade, em um movimento que reforçava a estratégia do clube de antecipar talentos brasileiros antes da explosão definitiva.

No entanto, o contexto mostrou-se mais complexo. Com concorrência pesada no ataque e necessidade de adaptação gradual, o clube optou por buscar minutos fora do elenco principal através de empréstimo. É cedo para decretar qualquer veredicto, mas o simples fato de o plano inicial já ter sido ajustado coloca seu nome sob observação. No Madrid, expectativa elevada sempre cobra preço.

Vítor Roque (Barcelona)

(Foto: Getty Images)

A chegada de Vítor Roque ao Barcelona foi tratada como parte fundamental da reconstrução esportiva do clube. Contratado junto ao Athletico Paranaense como um dos atacantes mais promissores do Brasil, com o perfil de um artilheiro moderno, agressivo e poderoso. O jovem desembarcou com a missão implícita de representar o futuro da posição.

Mas o início foi turbulento. Poucos minutos, dificuldades de encaixe tático e um ambiente institucional instável limitaram seu impacto imediato. Ainda há tempo para reverter a narrativa, mas o começo irregular já alimentou questionamentos. O Barcelona apostou alto em uma joia brasileira — e, por enquanto, a resposta ainda está longe de ser definitiva.

Sávio (Real Madrid)

(Foto: Getty Images)

Sávio chegou ao Real Madrid vindo do Flamengo com a reputação clássica do ponta brasileiro talentoso: rápido, habilidoso e capaz de decidir no um contra um. Aos 22 anos, representava uma aposta ofensiva para um clube que sempre buscou no Brasil jogadores capazes de desequilibrar partidas grandes.

Embora tenha participado de campanhas importantes e mostrado qualidade em vários momentos, nunca se consolidou como figura central do elenco. Em um ambiente onde a exigência é permanente e a concorrência histórica é feroz, Sávio acabou lembrado mais como coadjuvante do que como estrela. A promessa de protagonismo ficou pelo caminho.

Keirrison (Barcelona)

(Foto: Divulgação)

Keirrison talvez seja o exemplo mais extremo de aposta que deu errado na história recente do Barcelona. Em 2009, o clube investiu no atacante depois de sua explosão no futebol brasileiro, onde se destacou como artilheiro jovem e promessa de longo prazo. A ideia era clara: antecipar o mercado, garantir um novo 9 antes que seu preço disparasse e moldá-lo dentro do projeto esportivo do Camp Nou.

Nada disso aconteceu. Keirrison sequer conseguiu estrear oficialmente pelo time principal e passou a acumular empréstimos em sequência, sem nunca se aproximar do protagonismo esperado. Seu nome virou sinônimo de planejamento mal executado: o Barça foi ao Brasil em busca de um goleador para o futuro… e terminou com um jogador que praticamente não existiu dentro de campo. Entre expectativa alta e impacto nulo, seu caso permanece como o símbolo máximo de arrependimento desta lista.