O clássico entre Botafogo e Flamengo, no Nilton Santos, expôs duas realidades do trabalho de Filipe Luís: uma equipe taticamente organizada e competitiva, mas com escolhas que seguem gerando forte debate entre os torcedores.

Filipe Luís no comando técnico rubro-negro – Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
Filipe Luís no comando técnico rubro-negro – Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

Pressão alta e gol construído na estratégia

Desde o início, o Flamengo apostou em marcação adiantada, pressionando a saída de bola do Botafogo. A proposta funcionou. Em um desarme no campo ofensivo, lance em que os alvinegros pediram falta, o Rubro-Negro recuperou rapidamente a posse.

Bruno Henrique acionou Lucas Paquetá, que finalizou de fora da área para marcar seu primeiro gol neste retorno ao clube. O lance traduziu o plano de jogo: intensidade, recuperação rápida e objetividade.

O primeiro tempo foi um duelo de estilos. Enquanto o Flamengo pressionava alto, o Botafogo buscava transições rápidas para surpreender. A equipe de Filipe Luís, porém, conseguiu neutralizar boa parte das tentativas.

Laterais questionados, plano validado

Antes da bola rolar, a escalação causou surpresa. Filipe Luís manteve Ayrton Lucas e Emerson Royal como titulares, dois nomes frequentemente criticados pela torcida.

Apesar da desconfiança, a estratégia deu resultado no aspecto coletivo. O Flamengo colocou em campo jogadores com maior capacidade física, encaixou a marcação e dificultou a saída de bola do adversário, algo que não se via com consistência desde 2025.

Resposta do Botafogo e ponto de atenção

No segundo tempo, o Botafogo reagiu. Aos oito minutos, Alex Telles cobrou na segunda trave, Barboza apareceu nas costas de Pulgar e cabeceou por cobertura, encobrindo o goleiro Andrew.

O lance evidenciou um dos problemas recorrentes do Flamengo: desatenções pontuais na bola aérea e falhas individuais que comprometem um plano coletivo bem executado.

Entre acertos e desconfiança

O clássico reforça um cenário já conhecido. Filipe Luís demonstra capacidade de montar estratégias eficientes, especialmente em jogos grandes. A pressão coordenada e o encaixe defensivo foram claros pontos positivos.

No fim, o desempenho coletivo mostrou evolução. Mas, no Flamengo atual, jogar bem ainda não basta: a cobrança por regularidade e coerência nas escalações segue alta.