O Corinthians venceu o Velo Clube em um jogo que expôs, mais uma vez, a proposta de Dorival Júnior: controle, paciência e leitura de contexto. Mesmo longe de uma atuação brilhante, o Timão foi fiel ao plano, sustentou a posse de bola e encontrou o gol apenas aos 45 minutos do segundo tempo, em uma jogada que traduziu a insistência da equipe até o fim.

A partida, válida pela quinta rodada do Campeonato Paulista, começou com o Corinthians ocupando o meio da tabela. Após dois empates em clássicos, contra São Paulo e Santos, o time entrou em campo com cinco pontos, fora da zona de classificação, pressionado por desempenho e resultado.
Posse sem infiltração no primeiro tempo
O primeiro tempo foi de domínio territorial do Corinthians. Com 66% de posse de bola, a equipe controlou o ritmo da partida, mas teve dificuldades para transformar volume em chances claras. Faltou profundidade e presença na área, o que obrigou o time a buscar soluções fora do padrão ideal.
Sem conseguir romper a última linha do Velo Clube com jogadas trabalhadas, o Corinthians passou a apostar nos chutes de média e longa distância. Foram quatro finalizações de fora da área que levaram real perigo e exigiram boas defesas do goleiro Marcelo Carné, o destaque defensivo do time do interior na etapa inicial.
Defensivamente, porém, o Corinthians mostrou vulnerabilidade nas bolas aéreas. O Velo Clube encontrou seus melhores momentos em jogadas pelo alto, levando vantagem nos duelos e criando desconforto ao sistema defensivo corintiano, mesmo sem transformar isso em gols.
Leitura de Dorival e insistência no plano
No segundo tempo, Dorival Júnior manteve a estrutura, mas ajustou comportamentos. O Corinthians passou a circular a bola com mais calma no terço final, alongando as posses e empurrando o Velo Clube cada vez mais para trás. A ideia não era acelerar de forma desordenada, mas desgastar o adversário física e mentalmente.
Mesmo com a dificuldade para infiltrar pelo centro, o time manteve a estratégia de amplitude pelos lados, buscando o um contra um e esperando o momento certo para atacar a área. A leitura de Dorival foi clara: o gol viria pela insistência, não pela pressa.
O gol como retrato da estratégia
Aos 45 minutos do segundo tempo, o plano se materializou. Vitinho recebeu pela esquerda, segurou a bola, gingou diante da marcação e levou o lance até a linha de fundo. A finalização cruzada obrigou Marcelo Carné a espalmar, a bola ainda resvalou na trave e sobrou limpa para Yuri Alberto empurrar para o fundo das redes.
O gol tardio foi a síntese da partida: paciência, insistência pelo lado do campo e presença na área no momento decisivo. Não foi um jogo de brilho coletivo, mas de entendimento do contexto e fidelidade à estratégia.