No clássico entre Corinthians x Palmeiras disputado neste domingo (8) na Neo Química Arena, uma das imagens mais comentadas — e criticadas — não foi o gol palmeirense de Flaco López, mas sim um lance fora da disputa direta pela bola.

Em meio à confusão após Raphael Claus ter marcado pênalti para o Corinthians em saída de Carlos Miguel do gol e falta em Gustavo Henrique, Andreas Pereira foi flagrado mexendo na marca do pênalti, desgastando o gramado no entorno do ponto onde Memphis Depay acabaria chutando e errando a cobrança.
A cena repercutiu não apenas nas torcidas, mas também entre comentaristas e especialistas em arbitragem. A dúvida que ficou no ar: o VAR não poderia ter chamado o árbitro para punir o volante palmeirense por essa alteração no campo de jogo?
Regras definem quando VAR pode interferir
Segundo as Regras do Jogo e o protocolo do VAR da FIFA/IFAB, a equipe de arbitragem de vídeo só pode intervir em decisões relacionadas a quatro categorias específicas:
- Gols / não gols;
- Pênaltis / não pênaltis;
- Cartão vermelho direto;
- Confusão de identidade na aplicação de cartões.
O árbitro de vídeo pode intervir apenas em caso de erro claro e manifesto ou incidente grave não percebido pelos árbitros em campo nessas categorias.
Ou seja: o VAR não deve ser usado para revisar ou punir atos que não estejam diretamente relacionados à marcação do pênalti ou às outras três categorias acima, mesmo que sejam condutas antidesportivas ou contrárias ao espírito do jogo — como fazer “buracos” no gramado ou posicionar melhor a própria equipe.
O que as regras dizem sobre a conduta de Andreas
A explicação de Renata Ruel, ex-árbitra e comentarista na ESPN, esclarece a dúvida: a atitude de Andreas seria passível de cartão amarelo apenas se o árbitro tivesse percebido o movimento durante o jogo.
Além disso, o VAR não poderia entrar em ação sozinho para corrigir ou punir essa situação, porque não se encaixa nas categorias revisáveis estipuladas pelo protocolo.
O que isso significa para o Corinthians
Para o Corinthians, a polêmica vai além da derrota por 1 a 0: o lance levantou questionamentos sobre a eficácia e os limites do uso do VAR no futebol moderno.
O técnico Dorival Júnior evitou acusar diretamente Andreas Pereira, mas apontou críticas à arbitragem, especialmente por não punir ou sequer notar a ação no momento. Ainda assim, sob a ótica das regras vigentes, a atuação do VAR foi técnica e dentro do que é permitido atualmente.