O São Paulo deixou escapar uma oportunidade importante no Morumbis. Depois de sair na frente com Luciano, o Tricolor sofreu a virada por 2 a 1 para o Santos e terminou o clássico novamente questionado pela falta de estabilidade durante os 90 minutos. O resultado mantém a equipe com 36 pontos e na 11ª colocação do Brasileirão.
O principal problema esteve na maneira como o time reagiu aos próprios momentos positivos. O São Paulo conseguiu pressionar no começo e abriu o placar após pênalti sobre Ryan Francisco, convertido por Luciano. Porém, a vantagem durou apenas dois minutos. Na saída de bola, o Santos acelerou a jogada, Escobar teve espaço para cruzar e Gabigol apareceu livre para empatar de cabeça.
A resposta imediata do Santos expôs uma falha de concentração que acabou sendo determinante. Depois de marcar, o São Paulo precisava controlar os minutos seguintes e impedir uma reação rápida do adversário. O que aconteceu foi justamente o contrário: o Peixe encontrou espaço, avançou rapidamente e recolocou o jogo em igualdade praticamente sem que o Tricolor conseguisse reorganizar sua estrutura defensiva.
Transição defensiva volta a preocupar o São Paulo
O segundo gol santista deixou o problema ainda mais evidente. No início da etapa final, Coutinho encontrou Cebolinha em velocidade, e o atacante conseguiu carregar a bola até o setor ofensivo antes de ajeitar para Gabigol. O centroavante recebeu dentro da área com liberdade, deixou Tolói no chão e finalizou para completar a virada.
Mais do que o erro individual no momento da finalização, o lance mostra uma dificuldade coletiva do São Paulo para proteger a defesa quando perde a bola. O Santos conseguiu transformar uma recuperação em ataque perigoso rapidamente, enquanto os jogadores tricolores não tiveram tempo — ou organização — para recompor os espaços.
A situação ficou ainda mais complicada quando Dorival Júnior precisou buscar o empate. As alterações deixaram o São Paulo mais ofensivo, mas também aumentaram a exposição aos contra-ataques, justamente uma das armas que o Santos vinha utilizando. O Tricolor passou a ocupar mais o campo ofensivo, porém sem encontrar equilíbrio suficiente entre pressionar e proteger sua própria defesa.
São Paulo precisa corrigir a instabilidade na reta final
A derrota também mostrou que o São Paulo ainda tem dificuldade para transformar períodos de domínio em controle efetivo da partida. O time começou melhor, abriu o placar e teve apoio da torcida, mas não conseguiu sustentar a vantagem. Depois da virada, criou algumas oportunidades nos minutos finais, mas encontrou Diógenes em boa noite e não conseguiu evitar a derrota.
O cenário preocupa principalmente porque o Brasileirão é agora a única competição restante para o São Paulo na temporada. Com 36 pontos, o Tricolor precisa recuperar regularidade se quiser terminar a campanha próximo da zona de classificação para a Libertadores. O clássico contra o Santos, portanto, representava uma oportunidade importante de somar pontos em casa.
Para Dorival, a missão passa por corrigir rapidamente os erros de transição e a concentração após momentos decisivos. Sofrer dois gols em lances de reação rápida do adversário mostrou que o problema não esteve apenas na eficiência de Gabigol, mas também na maneira como o São Paulo permitiu que o Santos chegasse à área.
A partida deixa uma cobrança clara para a sequência: o São Paulo precisa ser mais seguro quando estiver em vantagem e encontrar um equilíbrio melhor quando precisar se lançar ao ataque. Contra o Cruzeiro, fora de casa, a equipe terá mais um teste nesse sentido. A margem para repetir os mesmos erros diminui à medida que a reta final do Brasileirão avança.





