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São Paulo define destino dos R$ 140 milhões da Ticketmaster e prioriza dívidas

Diretoria fará levantamento individual das dívidas com jogadores antes de usar os recursos para quitar atrasados e formar fluxo de caixa até o fim do ano

Massis - Foto: IMAGO / Fotoarena
© IMAGO/FotoarenaMassis - Foto: IMAGO / Fotoarena

Com o contrato com a Ticketmaster aprovado pelo Conselho Deliberativo, o São Paulo já tem um planejamento para os R$ 140 milhões previstos na operação. Segundo apuração do Bolavip Brasil, a prioridade absoluta da diretoria será o pagamento das pendências com o elenco. Antes de fazer a transferência, porém, a gestão pretende levantar atleta por atleta para identificar o valor exato devido a cada jogador e chegar ao total real da dívida.

A média atual dos atrasos de direitos de imagem é de quatro meses, considerando junho, julho, agosto e setembro. Existem, porém, casos em que a dívida chega a seis meses, o que faz com que o valor não seja necessariamente igual para todos os jogadores. Além dos direitos de imagem, o clube ainda precisa considerar parcelas de um acordo firmado no início da atual gestão para quitar débitos que já existiam quando a administração assumiu.

Também entrará nessa conta o salário em CLT referente a setembro, cujo vencimento acontece em 6 de outubro. A ideia é reunir todos esses compromissos de curto prazo e fazer uma espécie de fotografia financeira do elenco: direitos de imagem, parcelas do acordo anterior e salário registrado. A diretoria quer utilizar os recursos da Ticketmaster para zerar esse conjunto de pendências, sem incluir nessa equação luvas, bônus ou premiações futuras.

Primeira prioridade será zerar a dívida com o elenco

Quando a atual gestão assumiu o São Paulo, em janeiro, já encontrou valores pendentes com os jogadores, incluindo direitos de imagem e premiações. Houve uma reunião logo no início da administração com o elenco, e a promessa apresentada na ocasião foi organizar os débitos e dividi-los em dez parcelas ao longo do ano. Segundo a apuração, aproximadamente três dessas parcelas chegaram a ser pagas dentro do cronograma antes de uma nova sequência de atrasos.

É justamente essa dívida antiga que também deverá entrar no levantamento agora. O objetivo da diretoria é não tratar apenas os quatro meses mais recentes, mas somar tudo aquilo que ainda estiver efetivamente pendente com cada atleta. Por isso, antes de anunciar um valor final para o pagamento, a gestão precisa conferir contratos, acordos e parcelas já quitadas para evitar diferenças entre o que o clube considera devido e o que consta individualmente para cada jogador.

A expectativa é que o dinheiro da Ticketmaster permita finalmente encerrar esse ciclo de renegociações com o elenco. Em vez de estabelecer mais um calendário de parcelas, a ideia apresentada internamente é resolver os atrasados de uma vez, incluindo o salário de setembro que vence em outubro. A partir daí, o São Paulo pretende começar a trabalhar com uma estrutura financeira que impeça a formação imediata de uma nova dívida.

Dinheiro também será usado para manter o clube funcionando

Depois de resolver as pendências com os jogadores, a avaliação interna é de que ainda haverá recursos para outras obrigações de curto prazo. A intenção não é transformar os R$ 140 milhões em dinheiro disponível para contratações, mas utilizar parte do montante para manter o funcionamento normal do clube. Contas de consumo, energia elétrica e outras despesas básicas entram nessa segunda etapa do planejamento.

O mesmo raciocínio vale para as estruturas do São Paulo. A diretoria quer garantir recursos para despesas necessárias no CT da Barra Funda e no Morumbis, evitando que problemas de caixa voltem a atingir compromissos básicos de operação. A ideia é preservar um colchão financeiro para os últimos meses do ano, ainda que o clube não trate esse valor formalmente como uma reserva.

Também entram nessa equação compromissos menores, mas que podem gerar consequências importantes caso não sejam pagos. É o caso da dívida com o Novorizontino pela contratação de Jorginho, que foi renegociada em três parcelas de aproximadamente R$ 367 mil, com vencimentos em outubro, novembro e dezembro. A quitação dessas parcelas ajuda o São Paulo a evitar novas restrições relacionadas ao registro de jogadores.

O planejamento, portanto, não passa por utilizar os recursos da Ticketmaster para contratar atletas ou realizar investimentos imediatos no futebol. A prioridade é outra: pagar o que já venceu, manter as obrigações correntes em dia e criar condições para que o clube consiga chegar ao final de 2026 sem repetir a sequência de atrasos registrada nos últimos meses. É uma utilização voltada ao caixa, e não ao mercado.

A diretoria tem repetido internamente que os R$ 140 milhões são necessários para a sobrevivência financeira do São Paulo até o fim do ano. A operação dá fôlego imediato, mas não elimina os problemas estruturais do clube, especialmente porque parte relevante dos recursos — os R$ 110 milhões de antecipação — precisará ser devolvida à Ticketmaster ao longo de cinco anos, conforme as condições do contrato.

Por isso, o desafio será transformar o dinheiro extraordinário em fluxo de caixa sustentável. Se a maior parte dos recursos for consumida rapidamente para quitar atrasados, o São Paulo precisará controlar rigorosamente as despesas seguintes para não voltar ao mesmo cenário poucos meses depois. A expectativa da gestão é justamente utilizar a sobra para atravessar outubro, novembro e dezembro com os pagamentos correntes organizados.

Na prática, o clube pretende usar a operação para fazer uma espécie de reorganização emergencial: primeiro, zerar o passivo imediato com os jogadores; depois, colocar as despesas básicas em ordem; e, por fim, preservar recursos para que salários de funcionários e compromissos operacionais não voltem a atrasar. O levantamento que será feito pela diretoria será fundamental para determinar quanto dessa verba será consumido logo na primeira etapa.

Os R$ 140 milhões, portanto, chegam em um momento de alívio para o caixa, mas não representam o fim da crise financeira. O São Paulo ainda terá compromissos importantes pela frente e continuará carregando obrigações futuras decorrentes da própria operação com a Ticketmaster. A grande aposta da atual gestão é transformar essa entrada extraordinária em tempo para reorganizar o clube, evitando novos atrasos e permitindo que o São Paulo termine 2026 com as contas básicas sob controle.

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