O Palmeiras teve dois titulares em lados opostos no amistoso entre Paraguai e Colômbia, na última sexta-feira (2), nos Estados Unidos. Enquanto Gustavo Gómez deixou o campo valorizado após uma atuação segura na vitória paraguaia por 1 a 0, Jhon Arias voltou a ser questionado com a camisa 10 da seleção colombiana — um cenário que pode influenciar diretamente seu retorno ao Verdão após a Data FIFA.
Gómez foi titular e atuou durante os 90 minutos, sendo um dos responsáveis por frear o ataque colombiano. O zagueiro mostrou a segurança habitual, venceu disputas e ajudou o Paraguai a manter a vantagem até o apito final, em uma atuação que reforça sua importância para a equipe de Gustavo Alfaro.
Do outro lado, Arias iniciou a partida como titular, mas novamente não conseguiu apresentar pela Colômbia o mesmo protagonismo que marcou sua passagem pelo Fluminense. Agora dono da camisa 10 após a saída de James Rodríguez, o jogador do Palmeiras carrega uma expectativa ainda maior — e a cobrança começa a aparecer.
Jhon Arias: início irregular com a camisa 10 na Colômbia
A derrota para o Paraguai aumentou os questionamentos sobre a utilização do meia-atacante. Arias tem sido utilizado mais aberto, como extremo, em vez de ocupar uma função centralizada de criação. A mudança parece tirar parte de sua influência no jogo, principalmente quando a Colômbia encontra dificuldades para construir as jogadas.
O problema é que a camisa 10 naturalmente traz consigo a comparação com James Rodríguez. Arias não precisa reproduzir exatamente o futebol do antigo dono da numeração, mas a expectativa é de que seja o jogador capaz de assumir a responsabilidade pela criação, chamar o jogo e mudar o ritmo da equipe quando necessário.
Nos amistosos contra México e Paraguai, porém, essa liderança ainda não apareceu de maneira consistente. Arias até conseguiu criar algumas situações e foi um dos jogadores colombianos mais ativos, mas teve dificuldades na distribuição e, em determinados momentos, acabou recorrendo excessivamente aos passes para trás.

Jhon Arias teve atuação discreta em derrota da Colômbia para o Paraguai na Data FIFA – Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire
A atuação também precisa ser analisada dentro do contexto das mudanças promovidas por Néstor Lorenzo. O treinador testou uma linha de cinco defensores e um novo desenho para a equipe, deixando Arias com liberdade à frente dos meio-campistas. Ainda assim, o colombiano pareceu não encontrar o espaço necessário para transformar essa liberdade em protagonismo.
E o que isso significa para o Palmeiras?
Para o Palmeiras, o cenário merece atenção. Arias chega ao Verdão justamente com a missão de assumir um papel importante no time de Abel Ferreira, especialmente na reta decisiva da temporada. A experiência de atuar como referência técnica pela Colômbia pode ser positiva, mas a sequência de atuações discretas também pode aumentar sua pressão individual.
A diferença para Gómez foi evidente. Enquanto o zagueiro palmeirense retorna aos Estados Unidos com a confiança reforçada, Arias volta ao clube precisando responder dentro de campo às dúvidas que começaram a surgir sobre sua capacidade de ser o principal articulador da Colômbia.
O próximo compromisso da seleção colombiana – diante do Peru na próxima terça-feira (6) em Miami – será mais uma oportunidade para Arias mostrar que a camisa 10 não pesa. Para o Palmeiras, entretanto, o principal interesse estará no que o jogador levará dessa experiência para a Academia de Futebol: mais responsabilidade, mas também a necessidade de recuperar rapidamente o futebol que fez o clube apostar alto em sua contratação.
Lembrando que Arias não é garantido no confronto do Palmeiras diante do Bahia na próxima quinta-feira (8), no Nubank Parque, às 21h30 (horário de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro. A presidente Leila Pereira disponibilizará um avião para buscar o colombiano nos Estados Unidos, mas sua presença pelo Alviverde dependerá de avaliação da equipe de saúde do clube.





