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Direto da Redação

Opinião: Arias precisa deixar passado no Flu de lado e responder em campo pelo Palmeiras

Camisa 11 do Verdão tem que aprender a lidar melhor com a pressão contra o ex-clube e transformar o incômodo em desempenho com a camisa alviverde

Jhon Arias deixou a desejar mais uma vez contra Fluminense
© Jorge Rodrigues/AGIFJhon Arias deixou a desejar mais uma vez contra Fluminense

Jhon Arias voltou a ser assunto após a vitória do Palmeiras por 2 a 1 sobre o Fluminense, na última quarta-feira (14), no Maracanã, pela partida de ida da semifinal da Libertadores. Vaiado a cada toque na bola e chamado de “Judas” por parte da torcida tricolor, o atacante colombiano desabafou depois do confronto. Nesta quinta-feira (15), uma publicação nas redes sociais voltou a alimentar a polêmica.

Arias compartilhou uma foto no estádio acompanhada da música Bendiciones, do cantor porto-riquenho Bad Bunny. Um dos trechos da canção fala sobre pessoas que viraram as costas e atacaram, enquanto o artista responde com bênçãos. A escolha foi interpretada por torcedores como uma possível indireta à torcida do Fluminense, embora não haja confirmação de que essa tenha sido a intenção do jogador.

A repercussão, porém, é apenas mais um capítulo de uma história que já começa a cobrar uma resposta diferente do camisa 11 palmeirense: está na hora de Jhon Arias lidar melhor com os reencontros contra seu ex-clube.

Arias ainda não conseguiu responder dentro de campo

Desde que chegou ao Palmeiras por 25 milhões de euros, Arias enfrentou o Fluminense em duas partidas disputadas no Rio de Janeiro. E, nas duas ocasiões, o desempenho ficou aquém do esperado para um jogador de sua qualidade.

É evidente que atuar sob vaias e hostilidade de uma torcida que antes o tratava como ídolo não é uma situação simples. Arias construiu uma história importante no Fluminense, conquistou títulos e teve participação decisiva em momentos marcantes. Por isso, a reação dos torcedores cariocas ao vê-lo vestindo outra camisa era previsível, especialmente diante da transferência para um rival brasileiro.

O problema não está em sentir o peso desse ambiente, muito menos em demonstrar incômodo com a maneira como foi recebido. O ponto central é como transformar essa pressão em combustível para jogar melhor.

Arias é um jogador de 29 anos, com experiência internacional e reconhecida capacidade técnica. Chegou ao Palmeiras para elevar o nível ofensivo da equipe e oferecer alternativas em partidas decisivas. Por isso, é natural que a cobrança sobre ele seja maior, principalmente em um confronto de semifinal de Libertadores.

No Maracanã, entretanto, o colombiano pareceu desconfortável em diversos momentos, com dificuldades para dar sequência às jogadas e participar da construção ofensiva. É possível considerar, também, o contexto tático da partida e as adaptações exigidas pela ausência de Vitor Roque. Ainda assim, esses fatores não eliminam a expectativa de que um atleta desse nível consiga encontrar soluções mesmo quando o cenário é adverso.

A melhor resposta não está nas redes sociais

Depois da partida, Arias afirmou que as pessoas têm amnésia e lembrou sua trajetória vitoriosa pelo Fluminense. O desabafo é compreensível: o jogador tem o direito de defender sua escolha profissional e de se sentir injustiçado diante da hostilidade de quem, até pouco tempo atrás, celebrava suas atuações.

Mas a discussão sobre o passado não pode se tornar o centro da história. Arias não precisa apagar o que fez pelo Fluminense, tampouco convencer a antiga torcida a aceitar sua transferência. Agora, sua responsabilidade é corresponder às expectativas de quem o contratou e veste a camisa do Palmeiras.

A publicação com a música de Bad Bunny pode ter sido apenas uma maneira de expressar seus sentimentos, sem necessariamente representar uma provocação deliberada. Independentemente da intenção, porém, a repercussão nas redes sociais não muda o que realmente importa para o torcedor palmeirense: o rendimento dentro de campo.

E é justamente nesse aspecto que o colombiano ainda tem uma dívida a pagar. O investimento realizado pelo SEP e a expectativa criada em torno de sua contratação exigem protagonismo, sobretudo em jogos de alto nível. Não basta ter qualidade técnica; é preciso conseguir colocá-la em prática quando a partida exige personalidade, concentração e capacidade de superar adversidades.

O jogo de volta pode mudar essa história

A boa notícia para Arias é que a oportunidade de mudar a narrativa está próxima. Na próxima semana, o Palmeiras recebe o Fluminense no Nubank Parque, com a vantagem conquistada no Maracanã, após vencer por 2 a 1.

Longe do ambiente hostil encontrado no Rio de Janeiro e diante de uma torcida que espera ver o melhor de seu reforço, o colombiano terá a chance de mostrar que o episódio não passou de um obstáculo pontual. Uma atuação decisiva pode mudar a percepção sobre seus primeiros reencontros com o ex-clube e dar outro significado à polêmica.

Não se trata de exigir que Arias ignore as vaias ou não demonstre emoções. Trata-se de esperar que um jogador de sua experiência consiga administrar a pressão sem deixar que ela comprometa seu futebol. O colombiano tem talento para fazer a diferença pelo Palmeiras. Agora, precisa demonstrar isso justamente quando a cobrança aumenta.

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