O ex-goleiro do Internacional Luiz Felipe da Silva Nunes voltou a sonhar com o futebol profissional depois de enfrentar um drama de saúde que quase encerrou sua carreira. Aos 29 anos, o jogador superou uma cirurgia cardíaca em Portugal, passou por crises de ansiedade, perdeu 40 quilos e agora busca um clube para retomar a trajetória. Em entrevista ao jornalista Rafael Diverio, da Rádio Gaúcha, o goleiro resumiu a ambição que mantém viva: “Meu nome vai ser falado na Seleção, pode anotar”.
Em julho de 2024, quando se preparava para sua quinta temporada em Portugal, Luiz Felipe recebeu um diagnóstico de aneurisma na aorta durante exames médicos realizados pelo Farense. Na época, aos 27 anos, com 2,05 metros de altura, o goleiro foi informado de que precisaria parar de jogar futebol.
O atleta, que iniciou a carreira ainda criança após sair de Rio Grande para atuar no Progresso, de Pelotas, decidiu procurar outras avaliações. Com o apoio dos cardiologistas Miguel Abecasis e Renata Castro, encontrou uma possibilidade de tratamento cirúrgico que, caso tivesse sucesso, permitiria pensar novamente na carreira.
Cirurgia e apoio da família
A situação financeira tornou o período ainda mais difícil. Sem contrato e sem cobertura de seguro para o procedimento, Luiz Felipe precisava encontrar uma solução para custear o tratamento. O médico Miguel Abecasis, diretor do hospital em Lisboa, garantiu o atendimento sem custos extras, enquanto Renata Castro acompanhou a recuperação.
Durante os oito dias de internação, o goleiro contou com o apoio da esposa, Ingrid, que passou a semana dormindo no carro no estacionamento do hospital. O casal, que tem dois filhos, Manuella e Felipe Luiz, enfrentou junto a incerteza sobre o futuro do jogador.
O drama em Portugal não foi a primeira grande perda da vida de Luiz Felipe. Em 2016, quando era goleiro da base do Internacional, aos 18 anos, recebeu a notícia da morte da mãe, Ana Lúcia, que havia visitado o filho no alojamento colorado e lhe dado uma televisão de presente. Durante a viagem de volta para Rio Grande, ela sofreu um mal súbito e morreu dentro de um ônibus.
“Não foi nada fácil, fui o último a falar com ela”, recordou o goleiro, destacando também o suporte recebido do Inter naquele período. Anos depois, durante a internação em Portugal, ele voltou a enfrentar a possibilidade de perder alguém próximo.

Companheiro de quarto não resistiu à cirurgia
No hospital, Luiz Felipe dividiu o quarto com Fernando, um torcedor do Sporting de aproximadamente 70 anos que também passaria por uma cirurgia cardíaca semelhante. Os dois conversavam sobre futebol e família, mas, depois dos procedimentos, o goleiro não voltou a encontrar o companheiro de quarto.
Ao descobrir pelas redes sociais que Fernando havia morrido, Luiz Felipe procurou a família do novo amigo e fez uma longa viagem para visitar o filho dele. Levou uma camisa do Sporting que havia recebido em uma troca após uma partida. “Fizemos praticamente a mesma coisa, ele não voltou, eu sim”, contou.
Apesar de a cirurgia ter sido bem-sucedida, o pós-operatório trouxe dores, solidão e dificuldades financeiras. Sem contrato e afastado do futebol, Luiz Felipe enfrentou crises de ansiedade e chegou a pesar 150 quilos. Durante esse período, recebeu apoio de amigos do futebol, entre eles o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, seu colega na base do Inter, e o atacante Chico da Costa, atualmente no Fortaleza.
Ex-goleiro do Inter recupera a forma e busca clube
De volta ao Brasil, Luiz Felipe encontrou suporte no Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul (Siapergs), onde passou a frequentar atividades e manteve acompanhamento psicológico. Também recebeu convite do empresário e dirigente Sandro Becker para treinar e ajudar a comissão técnica.
O reencontro com a bola foi decisivo para recuperar a motivação. Com acompanhamento nutricional e atividades físicas, o goleiro perdeu 40 quilos em menos de seis meses, retornando ao peso que tinha antes de interromper a carreira. Agora, treina no Futebol Com Vida, enquanto procura um clube para a próxima temporada.
“Deus me deu uma segunda chance de vida. Não posso desperdiçar. Não quero voltar por voltar. Vou me empenhar ainda mais, ajudar quem puder”, afirmou Luiz Felipe, que está sem empresário, mas aberto a negociações.





