Franclim Carvalho detalhou algumas das dificuldades encontradas durante sua passagem pelo Botafogo. Em entrevista ao podcast português Linha Lateral, o ex-técnico alvinegro explicou os obstáculos para implementar seu modelo de jogo e falou sobre as adaptações necessárias diante do elenco que encontrou no clube.
Segundo Franclim, um dos principais problemas foi assumir a equipe com o mercado de transferências já fechado. Sem poder buscar reforços e sem um jogador de lado com as características desejadas, o português precisou encontrar soluções no próprio elenco e também recorrer às categorias de base.
Franclim explica adaptações no Botafogo
“Sou muito teimoso. Não me interessa se estou em um gramado sintético ou natural, se jogo às 11h da manhã no Brasil ou se vou ao Internacional e está chovendo e frio em Porto Alegre, ou em Caxias do Sul contra o Juventude que está muito frio. No Brasil, parece que são cinco países lá dentro. O que nós tentamos dentro desse 4-4-2 foi implementar essa ideia. Tivemos a dificuldade de que, quando chegamos, o mercado estava fechado e não tínhamos um “extremo” com as características que falei. Depois, tentamos ajustar às características dos jogadores. Não é abdicar, mas precisamos ter essa elasticidade. Chegamos com o mercado fechado e com uma equipe que não fomos nós que montamos”, disse o treinador.
Nesse processo, Franclim buscou alternativas para adaptar as características dos jogadores ao seu 4-4-2. Para que Matheus Martins pudesse atuar mais aberto, por exemplo, um atleta do sub-20 foi integrado ao elenco principal, evidenciando a necessidade de encontrar soluções internamente.
Ex-técnico destaca evolução da base após SAF
As categorias de base também foram abordadas pelo treinador. Franclim destacou o tamanho do elenco sub-20 e o calendário intenso da categoria, além de considerar significativa a distância existente entre o futebol de formação e a exigência encontrada na equipe profissional.
“A equipe sub-20 do Botafogo tinha 33 ou 34 jogadores. O calendário competitivo é muito denso também. O sub-20 pode fazer 45 ou 50 jogos numa temporada, só no sub-20. O “gap” para a equipe principal é muito grande. O Botafogo há cinco anos não tinha formação quase nenhuma, agora que entrou a SAF ficou muito melhor, até de 2024 para agora. Nota-se uma diferença grande, e eu vivenciei esses dois momentos (2024 e 2026)”, comentou Franclim.
A avaliação do português, portanto, mistura as dificuldades enfrentadas no trabalho com uma visão positiva sobre a evolução estrutural do clube. Franclim considera que o Botafogo avançou na formação de jogadores após a SAF, embora ainda enxergue uma distância importante entre o sub-20 e o elenco profissional.





