O Corinthians anunciou, nesta terça-feira (20), a saída de Marcelo Paz do cargo de executivo de futebol. A decisão foi tomada em comum acordo após uma reunião com o presidente Osmar Stabile, encerrando um ciclo marcado por dificuldades financeiras, decisões controversas e pressão nos bastidores.
Contratado em dezembro de 2025 para substituir Fabinho Soldado, Paz tinha vínculo até o fim de 2026. O dirigente chegou com a missão de reorganizar o departamento de futebol, mas encontrou um cenário de dívidas, restrições no mercado e instabilidade política.
A saída acontece pouco mais de um mês antes das eleições presidenciais, marcadas para 28 de novembro. Além do ambiente político, o executivo enfrentava cobranças internas e chegou a ser alvo de protestos da Gaviões da Fiel, que pediam sua demissão.
Bastidores mostram desgaste entre Marcelo Paz e diretoria
Durante sua passagem, Marcelo Paz participou de negociações importantes, mas nem sempre teve autonomia para concluí-las. Em fevereiro, o presidente barrou a venda do volante André ao Milan, da Itália, em uma operação que poderia alcançar R$ 104 milhões.
Outras tratativas também terminaram em divergências. O empréstimo de Alisson, então no São Paulo, chegou a ser encaminhado, mas foi interrompido após uma reavaliação financeira. Paz precisou telefonar ao jogador para explicar a mudança de decisão.
A negociação por Kayky, do Bahia, também não avançou por decisão presidencial. Já a renovação de Memphis Depay passou por uma reviravolta: inicialmente descartada por Stabile, foi retomada após ajustes financeiros e terminou com vínculo até julho de 2028.
De Fernando Diniz a Seedorf: os últimos episódios antes da saída
Em setembro, Marcelo Paz defendeu publicamente a permanência de Fernando Diniz, mesmo diante da sequência negativa no Brasileirão. O treinador, porém, acabou demitido em 7 de outubro, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional.
Na sequência, o executivo teve participação decisiva na contratação de Clarence Seedorf. A escolha do holandês, entretanto, aumentou o desgaste de Paz nos bastidores, em um momento de forte pressão pelos resultados e pela situação da equipe.
Outro episódio que repercutiu internamente foi a declaração de Gabriel Paulista após a goleada sofrida no Dérbi. O zagueiro questionou a falta de proteção da diretoria ao elenco, situação que também prejudicou a imagem do executivo dentro do clube.
Marcelo Paz deixa o Corinthians com três transfer bans ativos, pendências salariais e um departamento de futebol pressionado. Sua saída encerra uma passagem de aproximadamente dez meses.





