Todo diagnóstico médico difícil, seja de uma doença terminal, uma síndrome ou uma questão física do paciente gera uma mudança na dinâmica familiar. E, muitas vezes, as crianças são deixadas de lado na hora de olhar para essa mudança, o que pode gerar consequências futuras ou imediatas, persistentes ou passageiras. Segundo a psicóloga Cláudia Barroso, idealizadora de um projeto criado para ajudar famílias que estão vivendo um momento como esse, incluir as crianças no processo de readequação é fundamental.

“Há quem acredite que retirar a criança do ambiente durante o processo de acolhimento e adaptação do diagnóstico, deixar com um parente ou vizinho, por exemplo, seja a melhor solução, o que pode não ser verdade”, explica Cláudia. “A criança não possui ainda todos os elementos necessários para interpretar o que está acontecendo e se utiliza de fantasias para simbolizar aquilo que não compreende. Isso pode levar a criar um cenário às vezes pior do que a própria realidade”, enfatiza.

Cláudia lembra que o programa leva em consideração, antes de tudo, a idade, tanto a cronológica quanto a psicológica da criança, para entender como ajudar: “tem famílias que infantilizam e outras que exigem das crianças que tenham uma reação mais madura do que podem, e esse olhar é fundamental para entender como abordar a doença e as consequências dela para a própria criança”.

“A criança nem sempre é vista, mas ela faz parte do núcleo que é diretamente atingido pelo diagnóstico, daí a importância da sua participação no processo”, complementa a psicanalista. A profissional utiliza como base teórica a psicanálise, através de uma abordagem inovadora que privilegia as dores e medos da família que está impactada com um diagnóstico médico difícil. O objeto de interesse não é o paciente, mas, sim, sua família.

O tratamento tem foco e tempo pré-determinados. Pode variar de um a até sete encontros, contando com um membro ou vários membros da família, incluindo, é claro, as crianças, e de uma forma bem importante: “tudo vai sempre depender de como o diagnóstico impactou esses personagens e como o núcleo familiar foi afetado em sua função organizadora de papeis e sentimentos”.