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Futebol Fortaleza

Hora de descer do salto e começar de novo

Eliminação para o rival Ceará na semifinal da Copa do Nordeste deixa sequelas para Rogério Ceni às vésperas do início do Campeonato Brasileiro. Agora, são 12 dias de descanso e treino, tempo que não teremos mais na sequência do ano comprometido pela pandemia

Bolavip

Os últimos dois anos vem sendo um sonho para todo torcedor tricolor. Títulos inéditos na Série B e na Copa do Nordeste, um Brasileirão histórico com vaga para a primeira Copa Sul-Americana da história do clube, jogos de igual para igual com um dos maiores clubes do continente. 2020 continua para os leoninos um ano de grandes expectativas, mas com isso também nasce um salto alto que incomoda.

Desde o retorno da pausa por conta da pandemia, foram seis jogos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. A estreia não deu nem para tomar uma vista, 5 a 0 contra um Guarany de Sobral cheio de garotos que treinaram juntos apenas uma vez. A esperança veio no jogo seguinte, Clássico-Rei contra o rival Ceará e, por 60 minutos, um domínio que não se via há anos, mesmo com o placar final do jogo, um modesto 2 a 1, não atestando isso.

Daí para frente, contra Guarany de Sobral, América-RN Sport Recife e, na última terça-feira (28) contra o Ceará, uma nova faceta foi mostrada. Um time apático, sem alternativas, que se sentava em cima do resultado, por muitas vezes displicente, algo que podia ter custado a vaga na semifinal da Copa do Nordeste, custou na final. Méritos, é claro, para o Ceará de Guto Ferreira que soube usar isso em seu favor, mas a própria declaração do técnico Rogério Ceni na coletiva pós-jogo deixa clara a posição do time no jogo: "Eu imaginaria que o jogo seria decidido no final, por isso seguramos".

Longe de querer chamar Rogério de prepotente, mas a atitude e a declaração são apenas reflexo do time nos últimos 4 jogos, que se acha por cima dos demais, mas isso não é o suficiente, porque não trouxe o resultado. E pior: saiu mais perto de levar mais que um gol do que de empatar. Ceni falhou nos últimos dois jogos, muito para dar rodagem ao elenco que mostra suas carências.

Quintero vem cometendo falhas seguidas no sistema defensivo do Fortaleza. No clássico, não foi diferente

Quintero continua falhando no jogo aéreo, decisivo. No clássico da última terça, mais uma vez não estava na jogada e errou isso mais de uma vez, também em lances com Tiago Pagnussat, Fabinho e Cléber, esse último bloqueado por um Gabriel Dias providencial na cobertura por cima. Um zagueiro mais alto é uma necessidade urgente, Paulão é o único com esse característica, já que Quintero, Jackson e Roger Carvalho jogam mais na sobra, e em time baixo com o Fortaleza, isso vem sendo cruel.

Um Juninho displicente e apático sem reserva. Luiz Henrique se mostra verde, Nenê Bonilha não joga, Michel, lesionado, sequer deve voltar em 2020, e um Felipe que tanto é criticado, buscando jogo, atuando na força do ódio, com garra e vontade, se doando por dois, três, e a cada momento reclamando e puxando o time de sua parcimônia, uma característica de liderança, que nunca tinha visto até ontem, é óbvio que o time precisa de ao menos um volante.

Surpreendentemente, Osvaldo começou entre os titulares contra o Ceará e mais uma vez não mostrou bom desempenho

Ceni parece não confiar em Mádson, com David e Osvaldo em má fase, um jovem talentoso, porém, sim, ainda irregular Yuri César, o time precisa de alternativa para os lados, especialmente para conseguir aguentar a insana rotina de, ao menos, 40 jogos a partir do dia 8 de agosto, que irá ser de jogos a cada três dias, cruel para as equipes do Estado que vão percorrer 80.000 km, que serão com distância os dois times que mais irão correr na Série A, quase o dobro do Bahia, o 4º que mais irá percorrer distâncias, com 43 mil km. 

A falta de alternativas também incomoda. Se o time não constrói pelas pontas, não consegue reverter no 1 contra 1, que se busquem alternativas, o Fortaleza nos últimos jogos teve uma posse inerte, os goleiros Mailson, do Sport, e Fernando Prass, do Ceará, não defenderam um chute a gol, todas as finalizações foram para fora e as duas melhores, uma com Romarinho no sábado (25), que surgiu de uma falha individual da zaga do Sport, e outro com Yuri César contra o Ceará, com uma bola sobrada do escanteio, mostram que o time passou longe de criar algo.

Que a derrota deixe lições, porque justa e bastante anunciada desde sábado ela foi. A autocrítica é importante nesse momento, para Ceni rever alternativas para seu modelo de jogo, para a diretoria buscar reforços necessários para complementar o elenco e para atletas, comissão, dirigentes e torcedores entenderem que posse de bola sem agressividade, produtividade e resultado não adiantam de nada. São 12 dias de descanso e treino, tempo que não teremos mais depois disso e que devem ser muito bem usados. 

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