arrow_drop_down
search
Existe vida sem Ceni no Fortaleza?

Futebol: Mais notícias

Futebol Fortaleza

Existe vida sem Ceni? Uma preocupação distante, mas não tanto para o Fortaleza

Estilo envolvente do Tricolor de Aço remonta desde a década de 1970 com Moésio Gomes e companhia. Com Rogério Ceni, o encanto do Leão do Pici perdura e anima ainda mais sua torcida apaixonada. Mas fica a questão: em caso de saída, quem herdará o legado do Mito?

Bolavip

Existe vida sem Ceni no Fortaleza?

Existe vida sem Ceni no Fortaleza?

Desde sua fundação, o Fortaleza sempre manteve um DNA ofensivo e times retranqueiros são algo que não agradam ao torcedor de forma alguma. Até o fim dos anos 1960, o Tricolor acompanhou as revoluções táticas como o 2-3-5, 2-4-4, 4-2-4 até a chegada de Moésio Gomes, lendário ex-jogador que assumiu o clube entre 1973 e 1974.

Foi com Moésio que se criou uma ideia de jogo que perdura até hoje no Fortaleza e fixou no imaginário do adepto leonino. O sistema se baseava em quatro jogadores no meio de muita qualidade, Chinesinho era provavelmente o menos técnico, porém flutuava e dava espaço para a criação de Lucinho e Zé Carlos, além de Amilton Melo podendo chegar à frente, variando entre a armação ou um falso 9, com bastante chegada.

O que mais chamava atenção era como o time se adaptava fora do meio, Louro e Rôner eram laterais bem ofensivos e faziam dobradinhas com Geraldino Saravá e Haroldo, dois pontas, deixando muitas vezes o time sem um jogador referência. Além de Ozires e Pedro Basílio, dois zagueiros com boa saída de jogo, algo raro para a época em um clube do Nordeste.

Moésio foi precursor do estilo envolvente do Fortaleza

O Esquadrão de Ouro de Ney Rebouças também gostava de um time leve, Uri Gheller abrindo espaço pelas pontas, Luisinho das Arábias como homem gol, um meio-campo criativo, com no máximo, um jogador menos técnico, mas ainda sim bastante criativo na abertura de jogo, como era Tadeu, além de laterais ofensivos. Seja no 4-4-2, no 3-5-2, 4-3-3 ou no atual 4-2-4, o Fortaleza, entre idas e vindas, criou e fortaleceu de vez com Rogério Ceni o retorno da sua identidade.

Em 2014, Marcelo Chamusca lançou um esquema parecido, dois volantes com saída Guto, Corrêa e Walfrido revezavam e até jogavam juntos, dois pontas de velocidade com Edinho e Waldison, um meio-armador com chegada como Marcelinho Paraíba, e um jogador referência, mas que também buscava o jogo, que era Robert, além de dois laterais bem ofensivos como Tiago Cametá e Fernandinho. Mudou o ano, a tática permaneceu, Tinga e Wanderson (e depois Thalyson), Pio, Daniel Sobralense Maranhão e Éverton faziam o trio de meio mais ofensivo, com Lúcio Maranhão mais à frente, Corrêa e Auremir distribuindo.

Com poucas alterações sistemáticas, o esquema perdurou. Mesmo em times que tinham jogadores em características diferentes, como em 2017, os resultados apareceram, dois títulos estaduais em 2015 e 2016, duas Taças dos Campeões em 2016 e 2017, e o tão sonhado acesso para a Série B depois de batalha épica em Juiz de Fora, em 2017.

O passo agora era manter a identidade, enraizar cada vez mais e veio um dos técnicos mais promissores do futebol brasileiro, Rogério Ceni. Laterais fortes e ofensivos, boa saída de jogo desde o goleiro, meio-campo com 2, no máximo, 3 jogadores de muita criação, dois pontas e camisa 9 brigador, e por vezes nem isso, jogando até mesmo sem um referência, a identidade dos anos 70 está bastante viva, é bonita de se ver jogar e trouxe ainda mais ao torcedor o orgulho de ver o time jogar, batendo de frente em 2019 com os principais clubes do país, jogando de igual para igual e duro contra o maior campeão das Américas, o argentino Independiente, na Copa Sul-Americana deste ano.

Fortaleza de Ceni, por pouco, não eliminou o Indpendiente-ARG ainda na primeira fase da Copa Sul-Americana 2020 (Foto: Leonardo Moreira/FortalezaEC)

Ceni cumprirá seu contrato até o fim da temporada e é o desejo da diretoria, e pelo visto do próprio técnico, que em caso de permanência na Série A após o fim da pausa da pandemia, que ele fique até o fim do mandato da atual gestão, no final de 2021. Os tricolores ficam obviamente animados, mas também mostra o outro problema, esse a longo prazo, mas real e que não pode ser ignorado. Em caso de saída de Rogério Ceni, quem fica?

Nos 45 dias turbulentos de Cruzeiro, o Fortaleza trouxe Zé Ricardo, uma proposta de jogo diferente, mesmo mantendo a base tática e o resultado foi bastante abaixo do esperado, e a pergunta é: quem poderia substituir Rogério Ceni? Não é só substituir um grande técnico, mas uma ideologia de jogo e trabalho. Eu preferencialmente gostaria de preparar o atual auxiliar de Ceni, o francês Charles Hembert, estudioso da bola, novo, com boas ideias e se desejar seguir por esse caminho, já conhece a estrutura do clube e do próprio Rogério para dar continuidade.

No próprio futebol brasileiro, as opções são bem escassas, não consigo lembrar de nenhum técnico no mesmo modelo e vejo com opção alguém vindo do exterior, como o Internacional fez com o treinador argentino Eduardo Coudet, buscando-o no Racing, de Avellaneda. Posso estar me antecipando um bocado, porém a preocupação é verdadeira, não é só a manutenção de um técnico e sim de uma ideia.

Temas:

Leia também


Comentários

Cadastre-se

Você pode receber as últimas notícias na sua caixa de E-mail.